Bem vindo!

Ah! Normal...A vida é engraçada e trágica... é uma delícia e uma loucura! Essa mistura gera ansiedade, crescimento, regressão e uma série de contradições... e, comigo "deu" em Síndrome de Pânico. Falo desta e de outras tantas experiências. Compartilho, aprendo e ensino.
Não há um segmento único. Não falo apenas sobre pânico, falo sobre vida! Há vários pensamentos dicotômicos e alguns quase "no sense".
Eu me permito ser uma eterna metamorfose ambulante, uma anormal.

domingo, 19 de dezembro de 2010

DROGAS PRESCRITAS - Usar ou não usar?


Não gosto delas. Sou controladora e odeio tudo o que me deixe fora do controle...hehehehe... Por vezes tenho uma dor de cabeça e espero horas antes de tomar um analgésico mas, os sintomas do pânico, quando me atacam, fazem com que eu me renda rapidinho (vou descrevê-los em outo post).
Desde que fui diagnosticada com Síndrome de Pânico (trocentos anos atrás) já prescreveram diferentes tipos de drogas, com e sem efeitos colaterais, que viciam ou não, que fizeram bem e mal. E aí? O que fazer?
Dia desses fui a um novo médico e que me receitou uma nova "droga".  Saco!!!! Tentei perguntar o "porque" mas o atendimento do gado (minha consulta não durou mais do que 5 minutos) não permitiu que ele me explicasse o porque da troca. Tentei dizer que estava me sentindo bem e ele me cortou dizendo: "vamos experimentar" (Vamos????). Tentei dizer a ele que me sentia insegura e ele disse: "isso que você está usando vicia!", tentei dizer que já estava viciada e que achava precisar de um "desmame" (retirada paulatina da droga) e ele disse "Vai por mim!", tentei abrir a boca para novo argumento e ele me cortou dizendo: "não vamos mais tomar aquela. Tomaremos essa que a substituirá e vai fazer você se sentir melhor!" (Vamos?)
Fiquei quieta... peguei a receita e pensei que talvez o problema estivesse mesmo comigo. Eu tinha que fazer a experiência e blá blá blá... Fui à farmácia e adquiri o novo remédio.
Pesquisei na Internet sobre a droga antiga e a nova... para tentar traçar um paralelo. Nada me dizia que uma poderia substituir a outra... pior: eram para diagnósticos completamente diferentes. Medo! Desconfiança!
Eu não tinha mais nenhunzinho sequer comprimido da droga antiga e não tinha muito o que fazer a não ser "confiar". Sou de Escopião... bichinho desconfiado mas, vamos vencer essa natureza (disse eu) e engoli um comprimido do novo no lugar do antigo.
No dia seguinte me senti pra lá de mal: tive uma gigantesca crise de enxaqueca, nunca havia tido antes mas, poderia ser coincidência. Minha visão ficou turva, minha cabeça latejava de um lado só, eu não podia ver a luz, vomitava, tremia, não tinha concentração alguma mas aguentei firme até a noite, horário de tomar novamente a medicação. Tomei. No outro dia, todos os sintomas intensificados... eu mal parava em pé... a vertigem tinha aumentado muito e uma sensação de angústia, de cabeça inchada, de horror...
Tentei aguentar mais esse dia. Ainda que me sentindo pior. Fui ler sobre os sintomas da crise de abstinência da droga que foi suspensa e vi várias pessoas relatarem exatamente o que estava sentindo.
Passei a noite totalmente em claro e o desespero começou a tomar conta. Uma nova crise de pânico veio para completar o quadro que já era horrível!
Tentei falar como novo médico mas não conseguia retorno. A secretária dele dizia pra eu insistir na ligação que uma hora ele me atendia... ele não atendeu.
Liguei para meu médico antigo (mesmo não sendo coberto pelo convênio, motivo pelo qual fiz a troca). Meu médico antigo, em seu último dia de trabalho naquela clínica, no ano, me atendeu. Fez hora extra por mim (que fofo!!!!). Ele me mandou voltar coma medicação antiga (a droga viciante) e me fez enxergar coisas que eu já sabia (já havíamos discutido tudo isso) mas havia esquecido no meio do desespero:
Diante de um quadro tão grave, de uma agonia tão indescritível, do desejo imenso de abraçar a dona morte, o que era estar viciada em um remédio que me dava a oportunidade de ser eu mesma, novamente?
Tomei o remédio e já no dia seguinte (depois de uma noite deliciosa de sono), acordei muito melhor e com as sensações horríveis, bem toleráveis.
Resultado que serve pra mim: Eu quero viver bem. sou uma criançona alegre, que faz arte o tempo todo que o pânico tenta (e consegue) sufocar, sem trégua. A droga prescrita pelo meu médico (uma sumidade no assunto pânico) me permite ser eu mesma. Permite com que eu role no chão com meus cachorros e aposte corrida com meus sobrinhos, permite que eu continue valorizando as coisas maravilhosas que a vida tem.
Essa droga não me cega: eu sei bem que a vida é difícil e por muitas vezes, quase insuportável. Eu ainda sinto medo diante de uma situação que amedronte. Eu sinto paixão, amor, raiva, tesão, compaixão. Eu continuo sendo boa e má... mas a diferença é: tenho o controle de volta então, não deixarei de usá-la. Talvez nunca deixe de usá-la (minha pretensão é um dia nunca mais precisar usar nada mas... se precisar, tudo bem: sem água, comida e ar eu também não viveria muito tempo. O que fiz foi acrescentar mais um item a minha lista de indispensáveis à vida.
Conselho: procure um médico que lhe inspire confiança e faça perguntas. Não use-as sem o acompanhamento de um médico. Tome a medicação mas procure também uma terapia (dentre elas a cognitivo-comportamental) que se adeque a você. Conheça-se, descubra-se, resolva-se aos poucos e se, durante o percurso você precisar fazer uso da muleta pra não ficar no chão, pinte-a com suas cores preferidas pra ficar "fashion". 


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